Após proibição das bets, vendas de alimentos crescem 6,5% e Abras vê relação entre os dois movimentos
A CONTA DO CARRINHO
As vendas do varejo alimentar cresceram nas semanas seguintes à proibição das plataformas de bets no Brasil, segundo levantamento divulgado pela Associação Brasileira de Supermercados (Abras). A entidade registrou alta de 6,5% entre os dias 5 e 11 de outubro e de 6,3% na semana seguinte, em comparação com os mesmos períodos de 2025. Para a associação, a restrição às apostas pode estar contribuindo para ampliar o consumo das famílias, especialmente de alimentos essenciais como arroz, óleo, macarrão e café.
O levantamento divulgado pela Abras mostra crescimento do varejo alimentar em diferentes regiões do país após a publicação da medida provisória que proibiu as bets. A entidade acredita que a redução dos gastos com apostas esteja abrindo espaço no orçamento doméstico para a compra de produtos de primeira necessidade, embora os dados apresentados não comprovem essa transferência de recursos.
Supermercados registram alta nas vendas
Nas primeiras semanas de outubro, supermercados, atacarejos, mercearias e outros estabelecimentos do varejo alimentar apresentaram crescimento no consumo, segundo a associação.
Entre 5 e 11 de outubro, o avanço nacional foi de 6,5%. O Sul do país e o conjunto formado por Minas Gerais, Espírito Santo e interior do Rio de Janeiro lideraram o desempenho, ambos com alta de 10,6% em relação ao mesmo período do ano passado.
No Nordeste, o crescimento foi de 6,5%. O interior de São Paulo registrou avanço de 5,6%, seguido pela Grande Rio, com 4%, Centro-Oeste, com 3,6%, e Grande São Paulo, com 1,2%.
O movimento continuou na semana de 12 a 18 de outubro, quando o varejo alimentar registrou alta de 6,3% no Brasil. O Sul permaneceu à frente, com crescimento de 9%, seguido pelo conjunto de Minas Gerais, Espírito Santo e interior fluminense, com 7,1%.
Na mesma semana, a Grande Rio avançou 6%, o interior paulista cresceu 5,6% e a Grande São Paulo registrou alta de 5,5%. No Nordeste, o aumento foi de 4,5%, enquanto o Centro-Oeste apresentou crescimento de 3,5%.
Segundo a Abras, a expansão alcançou diferentes formatos de comércio e foi observada especialmente na cesta de produtos essenciais, que inclui arroz, óleo, macarrão e café. A entidade, porém, não detalhou nos dados divulgados quanto cada um desses produtos cresceu individualmente.
O que os dados do Banco Central mostram
A associação também relaciona o crescimento do consumo à redução das transações por Pix registrada após a publicação da medida provisória contra as bets.
De acordo com dados do Banco Central divulgados pela Agência Brasil, o número de operações realizadas pelo sistema caiu 10% entre 26 e 28 de setembro, na comparação com a média dos mesmos dias das quatro semanas anteriores.
onsumo pode continuar crescendo?
Para a Abras, os resultados das primeiras semanas de outubro indicam uma possível mudança no comportamento de consumo das famílias após a proibição das bets. A associação considera que a redução das despesas com apostas pode favorecer a compra de itens essenciais e fortalecer o varejo alimentar.
Os números divulgados até agora, entretanto, abrangem apenas duas semanas de vendas e não demonstram quanto as famílias deixaram de gastar com jogos ou passaram a destinar aos supermercados.
Também não é possível afirmar, com base nesses indicadores, que o crescimento observado continuará nos próximos meses. Novos levantamentos serão necessários para avaliar a evolução do consumo e verificar se existe uma relação efetiva entre a proibição das apostas e o desempenho do comércio de alimentos.
Fonte: *Correio
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