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Agosto Dourado: entenda quando o incentivo à amamentação vira cobrança

Agosto Dourado: entenda quando o incentivo à amamentação vira cobrança

Por Redação Correio do Sertão
Publicado em Quarta-feira, 19 de agosto de 20261 min de leitura
Agosto Dourado: entenda quando o incentivo à amamentação vira cobrança
Foto: Reprodução

Dor, falta de apoio e dificuldades após o parto podem interferir no aleitamento. Psicóloga explica o que ajuda

Durante o Agosto Dourado, mês dedicado ao incentivo à amamentação, é comum que mães recebam orientações sobre os benefícios do leite materno e a importância de manter o aleitamento. O que nem sempre aparece com a mesma força são as condições necessárias para que essa mulher consiga amamentar.

Dor, fissuras nas mamas, dificuldade na pega do bebê, exaustão, internações, falta de orientação e retorno ao trabalho podem interferir nesse processo. Para a psicóloga perinatal Rafaela Schiavo, fundadora do Instituto MaterOnline, colocar toda a responsabilidade sobre a mãe pode transformar incentivo em cobrança.

“Quando uma mulher não consegue manter o aleitamento como gostaria, é preciso perguntar o que aconteceu antes de culpá-la. Ela teve assistência? Recebeu orientação desde o pré-natal? A dor foi investigada? Havia apoio em casa?”, questiona.

A psicologia perinatal é a área voltada às questões emocionais relacionadas à gestação, ao parto e ao período depois do nascimento do bebê.

O que está por trás

Segundo Rafaela, algumas dificuldades podem começar ainda na maternidade. A falta de apoio para colocar o recém-nascido no peito, a separação entre mãe e bebê, a ausência de orientação sobre a pega e a oferta de outros leites sem necessidade avaliada pela equipe de saúde podem interferir na continuidade da amamentação.

A pega corresponde à forma como a boca do bebê se encaixa na mama para retirar o leite. Quando isso não acontece adequadamente, a mulher pode sentir dor, apresentar fissuras ou sangramento e encontrar dificuldades para manter as mamadas.

Outro momento importante é o início da amamentação após o nascimento. Quando mãe e bebê estão em condições clínicas, o contato próximo e a tentativa de colocar o recém-nascido no peito ainda nas primeiras horas podem favorecer o processo.

Também existe o chamado alojamento conjunto, modelo em que mãe e bebê permanecem no mesmo quarto durante a internação, quando não há impedimento médico. Essa proximidade permite que a mulher observe os sinais de fome e tenha mais oportunidades de oferecer o peito.

Para Rafaela, por isso, as ações do Agosto Dourado não deveriam falar apenas com as mães. Profissionais de saúde, maternidades, locais de trabalho e familiares também fazem parte desse processo.

“Não basta explicar à mãe que ela precisa amamentar. É necessário observar quais condições foram oferecidas para que isso acontecesse” , ressalta.

Quando o incentivo vira cobrança

Frases como “toda mulher consegue”, “é só insistir” ou “você precisa ter força de vontade” podem parecer estímulos, mas desconsideram as condições físicas, emocionais e sociais enfrentadas pela mulher.

De acordo com a psicóloga, muitas mães relacionam a capacidade de amamentar ao próprio valor materno. Quando encontram dificuldades, podem interpretar a situação como sinal de que falharam com o filho ou não se esforçaram o suficiente.

O sofrimento pode ser ainda maior quando a mulher sente dor intensa durante as mamadas, passa a antecipar aquele momento com medo ou desenvolve aversão ao contato com a mama. Nessas situações, insistir sem investigar a causa pode aumentar a exaustão e a culpa.

Entre os sinais e situações que merecem atenção estão:

Dor intensa ou persistente durante as mamadas.

Feridas, fissuras ou sangramento nas mamas.

Dificuldade na pega do bebê.

Medo ou ansiedade antes de amamentar.

Choro frequente durante ou depois das mamadas.

Aversão ao contato com a mama.

Exaustão física e emocional.

Culpa constante por não conseguir amamentar.

Sinais de ansiedade, depressão ou isolamento.

Retorno ao trabalho sem condições para retirar e armazenar o leite.

Segundo a psicóloga perinatal, esses sinais não devem ser interpretados como falta de esforço. Médicos, enfermeiros e profissionais especializados em amamentação podem avaliar a pega, investigar a dor e observar a saúde da mãe e do bebê. Quando houver sofrimento emocional, o acompanhamento psicológico também pode ser necessário.

O que pode ajudar

O apoio começa ainda na maternidade, com orientação sobre a pega, ajuda durante as primeiras mamadas e investigação de dores ou outras dificuldades. Depois da alta, a participação da família pode evitar que todo o cuidado com o bebê e a casa recaia sobre a mulher.

Parceiros e pessoas próximas podem preparar refeições, assumir tarefas domésticas, cuidar do bebê em outros momentos e garantir períodos de descanso. No retorno ao trabalho, ter condições para realizar a ordenha, nome dado à retirada do leite das mamas, e armazená-lo adequadamente também pode ajudar quem deseja continuar amamentando.

A amamentação pode favorecer a proximidade entre mãe e bebê, mas não é a única maneira de construir vínculo. A relação também se desenvolve no colo, no banho, nas conversas, nas brincadeiras e na resposta às necessidades da criança.

Quando houver necessidade de complementar ou substituir o leite materno, a decisão deve ser tomada com acompanhamento profissional e sem julgamentos, levando em consideração a segurança da alimentação do bebê e a saúde física e emocional da mulher.

“A amamentação não deveria ser uma missão solitária entregue à mãe depois do parto. Ela depende de apoio, orientação e condições que protejam a mulher e o bebê”, conclui.

Imagem: Crédito: Magnific

Sobre Rafaela Schiavo

Profª-Dra. Rafaela de Almeida Schiavo é psicóloga perinatal e fundadora do Instituto MaterOnline. Desde sua formação inicial, dedica-se à saúde mental materna, sendo autora de centenas de trabalhos científicos com o objetivo de reduzir as elevadas taxas de alterações emocionais maternas no Brasil.

Possui graduação em Licenciatura Plena em Psicologia e em Psicologia pela Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho. Além disso, concluiu seu mestrado em Psicologia do Desenvolvimento e Aprendizagem e doutorado em Saúde Coletiva pela mesma instituição. Realizou seu pós-doutorado na UNESP/Bauru, integrando o Programa de Psicologia do Desenvolvimento e Aprendizagem.

Tem experiência na área de Psicologia, com ênfase em Desenvolvimento Humano, atuando principalmente nos seguintes temas: Desenvolvimento pré-natal e na primeira infância; Psicologia Perinatal e da Parentalidade.

Fonte: LRN

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Comentários dos Leitores (2)

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AN
Antônio Santos
Há 5 horas

Excelente reportagem! Os cafés de Morro do Chapéu são realmente de altíssimo nível.

MA
Maria Helena
Há 2 horas

Orgulho da nossa Chapada Diamantina brilhando internacionalmente!